Revoltado, ator pediu demissão da Globo e nunca mais voltou: “Perguntaram se eu tinha certeza”


Ator pediu demissão da Globo. (Foto: reprodução/Montagem/Fatos da TV)
Ator pediu demissão da Globo. (Foto: reprodução/Montagem/Fatos da TV)

Revoltado com tratamento, Ewerton de Castro pediu demissão da Globo

Com uma carreira de 34 anos na atuação, Ewerton de Castro sentiu-se desprestigiado com o papel que lhe foi dado na novela “O Quinto dos Infernos” em 2002 e decidiu deixar a produção. Ele fez duras críticas à Globo, afirmando que ser escalado como uma espécie de “figurante” foi uma grande falta de respeito.

Ewerton se uniu à Globo em 1979, quando atuou no seriado “Malu Mulher”. Desde então, ele apareceu em outras produções da emissora, como “Eu Prometo” (1983), “Roque Santeiro” (1985), “O Outro” (1987) e “Vida Nova” (1988).

Embora tenha se aposentado em 2010, Ewerton ainda guarda uma grande mágoa pelo seu último trabalho na Globo. Em uma entrevista à Folha de S. Paulo, ele expressou sua insatisfação: “Não fui respeitado artisticamente. Meu personagem não tinha diálogos e nunca aparecia na câmera. Eu não esperava que, depois de 34 anos de carreira, me tratassem como se fosse um mero figurante”.

Ator Ewerton de Castro. (Foto: reprodução/AgNews)
Ator Ewerton de Castro. (Foto: reprodução/AgNews)

Ator pediu demissão da emissora

Quando perguntado sobre a reação da Globo à sua decisão de sair da produção, Ewerton respondeu: “Eles me perguntaram diversas vezes se eu tinha certeza do que estava fazendo. A relação entre a Globo e os atores é tão desigual que, quando alguém diz não, eles agem como se não tivessem ouvido. Eles simplesmente não acreditam que alguém não queira trabalhar lá. Eles sabem que há uma fila de pessoas implorando por uma oportunidade a qualquer preço”.

Para Ewerton, a atitude da emissora em não se importar com sua demissão prejudica o mercado de teledramaturgia: “A Globo está acostumada com essa postura. Ela acaba degradando o mercado. Eles pensam assim: ‘Todo mundo quer trabalhar aqui, então não precisamos tratar ninguém bem’. Isso é repetido por outras emissoras. Existem atores que já foram muito famosos e são tratados como pedintes quando procuram trabalho”, afirmou.

“A Globo assume uma espécie de poder divino. Mas eles fazem isso para desmotivar você e fazer você aceitar qualquer coisa que eles oferecem. Os abençoados são aqueles que precisam da TV para sobreviver”, concluiu o ator, que não aparece na televisão desde 2010, quando atuou na minissérie “A História de Ester” na Record.