Autor consagrado da Globo detestou trama de sua autoria que teve sucesso mundial: “Novela horrível”


Autor da Globo (Foto: Reprodução/ Globo)
Autor da Globo reconheceu fracasso (Foto: Reprodução/ Globo

Autor que escreveu novelas premiadas para Globo, revelou em entrevista que detestou novela de sua autoria para a emissora

A novela “Escrava Isaura” acabou dividida em 100 capítulos e exibida na Globo, de 11 de outubro de 1976 a 5 de fevereiro de 1977.

A trama, de autoria de Gilberto Braga, foi transmitida em vários países e recebeu premiações pelo mundo inteiro.

Entretanto, o folhetim foi o primeiro trabalho de Lucélia Santos na televisão, que passou a ser a mais nova estrela da Globo.

Contudo, o convite para interpretar o papel-título partiu do diretor Herval Rossano, após ele assistir o desempenho da atriz na peça “Transe no 18”, em 1976.

Porém, o autor, Gilberto Braga, queria outra atriz para Isaura: Louise Cardoso.

Também, foi primeira novela na Globo de Edwin Luisi, que viveu o mocinho Álvaro. O ator vinha de pequenos papeis nas novelas da TV Tupi.

Vilão Leôncio Almeida de Escrava Isaura (1976) (Foto: Reprodução/ Globo)
Vilão Leôncio Almeida de Escrava Isaura (1976) (Foto: Reprodução/ Globo)

O autor acabou repreendido pela censura da época

Então, Gilberto Braga narrou em entrevista os problemas da novela com a Censura Federal, na época.

Quando comecei a escrever Escrava Isaura, acabei chamado a Brasília para conversar, porque eles achavam a novela perigosa“, começou Braga.

Então, na reunião com censores, ficou mais ou menos estabelecido que eu não poderia falar de escravo. Uma censora me disse que a escravatura tinha sido uma ‘mancha negra’ na história do Brasil, e que não deveria ser lembrada – aliás, segundo ela, o ideal seria arrancar essa página dos livros didáticos; imagine então falar disso na novela das seis“, contou o autor de vários secessos da Globo.

“Um censor falou que a novela podia despertar sentimentos racistas na netinha dele, porque ela via os brancos batendo nos escravos na televisão e podia querer bater nas coleguinhas pretas dela”, disse incrédulo.

“Aí eu disse ao censor que ele devia ver um psicólogo para a menina porque, se ela se identificava assim com os bandidos…”, contou Gilberto Braga.

Gilberto usou essa passagem com muita propriedade em sua minissérie Anos Rebeldes, em 1992, em que o personagem Galeno Quintanilha (Pedro Cardoso), um novelista, é repreendido pelos censores ao escrever uma trama de cunho abolicionista.

Entretanto, Gilberto Braga não gostava de “Escrava Isaura”, o autor declarou ao livro “Autores” (do Projeto Memória Globo).

“Acho a novela horrível! Até hoje não entendo por que fez tanto sucesso. Era uma produção horrorosa. Eu não gosto, especialmente, do elenco, nem do meu texto”, confidenciou o autor.

“O que era bom ali era a temática do Bernardo Guimarães, que é muito forte. Claro, existia uma certa técnica, não vou dizer que eu e a direção éramos totalmente ineptos. Mas, francamente, não gosto”, garantiu o famoso, na época.

Gilberto Braga (Foto: Reprodução/ Globo)
Gilberto Braga (Foto: Reprodução/ Internet)
Bruna Alves

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Bruna Alves

Eu sou Bruna Alves, redatora de notícias da televisão e celebridades desde 2016, com passagens em alguns sites da área ao logo desse tempo. No FATOS DA TV, trago notícias com credibilidade e responsabilidade aos leitores, relembrando acontecimentos passados da TV e dos famosos, mas também deixando os leitores atualizados com assuntos da atualidade.