Barrada pela ditadura, Globo foi obrigada a produzir novela de urgência e teve sucesso estrondoso


Pecado Capital, globo
Pecado Capital (Foto: Globo)

Nos anos 70, a TV Globo precisou correr para conseguir colocar uma novela inédita no ar. Após um veto da ditadura, a emissora ficou sem conteúdo para exibir e recorreu a uma autora consagrada.

Dessa forma, a TV Globo produziu uma das melhores novelas já feitas e tudo isso com uma produção acelerada. Janete Clair deu conta do recado e Pecado Capital ficou eternizada.

Pecado Capital
Pecado Capital

Globo sem novela?

A censura barrou a exibição de Roque Santeiro em 1975, na data de sua estreia. Dessa forma, a Globo precisou correr para colocar uma novela no ar. Sem material inédito, Selva de Pedra foi escalada como tapa-buraco para o horário nobre.

A fim de trazer um conteúdo inédito aos telespectadores, a emissora enviou três sinopses para a censura aprovar: Saramandaia, de Dias Gomes, “O Resto é Silêncio”, de Érico Veríssimo, e “Os Cangaceiros”, de José Lins do Rêgo, sendo as duas últimas adaptações de romances.

Todas, no entanto, acabaram barradas e foi aí que Janete Clair entrou em cena. A autora se prontificou a escrever uma novela aproveitando o elenco de Roque Santeiro.

Trabalhando em Bravo!, outra novela, Janete passou o controle para Gilberto Braga, seu colaborador, e focou em Pecado Capital.

Pecado Capital fugia do padrão de escrita de Janete, já que não tinha uma mocinha sofredora e nem um galã romântico. Pelo contrário: a protagonista Lucinha (Betty Faria) era batalhadora e de personalidade forte, já seu par romântico, Carlão (Francisco Cuoco) fugia do estereótipo.

Além do texto de Janete Clair, Daniel Filho – diretor da trama – deu seus toques na história e a preparou para o horário das oito. Pecado Capital, inclusive, foi a primeira novela em cores da Globo, se tornando um marco da teledramaturgia.