Bruxaria, caos nos bastidores e final improvisado: a novela que enterrou de vez a TV Manchete


Novela Brida antecipou o fim da TV Manchete. (Foto: Reprodução)
Novela Brida antecipou o fim da TV Manchete. (Foto: Reprodução)

A TV Manchete já foi uma das principais emissoras de TV do Brasil, e muito do sucesso do canal se devia ao seu investimento nas novelas, que chegavam a bater de frente com a Globo, como foi o caso de Pantanal, uma das raras produções que conseguiram derrotar a emissora carioca em pleno horário nobre.

Por ironia, foi justamente um folhetim o responsável por enterrar de vez a emissora, que decretou falência e teve de fechar as portas, em 1999. Esse folhetim foi Brida (1998), novela baseada no livro homônimo de sucesso escrito por Paulo Coelho e lançado em 1990. Na trama, Carolina Kasting interpretava a personagem-título, uma jovem que era perseguida por um bruxo, e com o tempo, se revelava com poderes especiais que também a fizeram se transformar em uma bruxa.

A Manchete investiu pesado na produção, fazendo questão de levar a equipe para gravar as primeiras cenas da novela na Irlanda, assim como ocorre no livro, e com uma proposta arriscada para atrair investidores, que só pagariam os anúncios se a novela atingisse ao menos 5 pontos — a expectativa da emissora era de que a produção registrasse ao menos o dobro disso.

Novela foi um fracasso na TV Manchete

Porém, se desenhou o pior dos cenários para a TV Manchete, pois a novela começou a sofrer para ultrapassar os míseros 2 pontos de audiência. Com as dívidas e a falta de patrocinadores, um verdadeiro caos tomou conta dos bastidores, uma vez que nem a própria equipe do folhetim estava recebendo salários.

Em uma tentativa desesperada de alavancar a audiência, o diretor Walter Avancini chegou a trocar de autor e apelar para cenas eróticas, assim como havia feito em Tocaia Grande, mas isso não surtiu efeito. “Não é exatamente essa a solução que eu gostaria de dar para o problema. Mas é esse o caminho que encontrei dentro das atuais circunstâncias e com os recursos que tenho”, desabafou o diretor.

Sem receber salários, a equipe se recusou a continuar gravando e o folhetim, que teria 180 capítulos, acabou tendo apenas 54. O final, aliás, foi bizarro e teve de ser improvisado, com um resumo narrado sob um compacto de imagens já gravadas.