Final de Marcos em O Rei do Gado causou polêmica e virou chacota entre advogados e juristas


Cena de O Rei do Gado. (Foto: reprodução/Montagem)
Cena de O Rei do Gado. (Foto: reprodução/Montagem)

Desfecho de O Rei do Gado causou polêmica na sua exibição original

O Rei do Gado se tornou uma das novelas de maior sucesso da Globo nos anos 1990, e não à toa, ganhou uma nova reprise, que está atualmente em exibição na emissora. Porém, assim como praticamente todo folhetim, a obra escrita por Benedito Ruy Barbosa foi alvo de algumas polêmicas.

Além de dividir opiniões por abordar temas como a reforma agrária e o movimento dos sem-terra, algo que chegou a irritar até mesmo o então chefão da Globo, Boni, O Rei do Gado também deu o que falar com o desfecho de Marcos (Fabio Assunção).

O filho do protagonista Bruno (Antonio Fagundes) quase sempre se mostrou um playboy inconsequente, e que acaba arranjando a maior confusão ao causar, involuntariamente, a morte de Ralf (Oscar Magrini).

Marcos em cena da novela. (Foto: reprodução/Globo)
Marcos em cena da novela. (Foto: reprodução/Globo)

Final dividiu opiniões

Acontece que na reta final da trama, o pilantra acaba irritando Orestes (Luiz Parreiras), que decide armar uma emboscada, atraindo o homem até o seu barco e depois pedindo que os seus capangas lhe dessem uma verdadeira surra e o deixassem largado na praia. O problema é que Marcos acabou flagrando Ralf no local e aproveitou para enterrar o corpo dele na areia. O que o rapaz não esperava é que a maré fosse subir e desse fim de vez ao pilantra.

Marcos acabou confessando à polícia o que fez e foi a julgamento podendo pegar uma pena pesada por homicídio, mas não foi isso que aconteceu. O rapaz foi condenado por “vilipêndio de cadáver”, uma pena leve, de apenas um ano de detenção e que pode ser cumprida em liberdade. Nesse caso, o individuo é condenado por mexer em um cadáver com o intuito de depredar ou achincalhar, o que não aconteceu na realidade, já que Ralf ainda estava vivo quando Marcos o enterrou na areia.

Na trama, o rapaz fica bastante aliviado com a sua sentença, podendo cuidar da esposa, Liliana, e do filho que ela está esperando dele. Na época, no entanto, a decisão do autor em relação à condenação de Marcos causou polêmica e foi alvo de chacota de advogados e juristas, que alegavam que não fazia sentido o personagem ter sido condenado por esse crime, e que ele deveria ter recebido uma pena por homicídio, mesmo que fosse “homicídio culposo”, quando não há a intenção de matar.