Novela da Globo tentou ajudar com campanha, mas acabou causando pânico em crianças de todo o país


Novela da Globo causou pânico. (Foto: reprodução/Montagem)
Novela da Globo causou pânico. (Foto: reprodução/Montagem)

Novela da Globo, Explode Coração abordou o sequestro de crianças

Glória Perez sempre foi uma autora conhecida por promover merchandisings sociais em suas novelas, abordando temas relevantes e que estão em evidência no momento. Na atual novela das 21h da Globo, por exemplo, a autora explora temas como dependência digital, golpes em aplicativos, fake news, entre outros.

A novelista também ficou marcada por colocar crianças no foco central da trama para debater alguns desses temas, e foi o que aconteceu em Explode Coração (1995). O folhetim ficou conhecido por tratar do rapto e desaparecimento de crianças. Na trama, o pequeno Gugu (Luiz Claudio Jr.) acabava sendo sequestrado por bandidos para depois ser vendido para uma família estrangeira.

Desesperada, a sua mãe, Odaísa (Isadora Ribeiro), passava o dia em busca de respostas sobre o paradeiro da criança e se unia às Mães de Ceilândia, um grupo de mulheres do Rio de Janeiro que se reuniam para tentar encontrar seus filhos desaparecidos.

Cena de Explode Coração. (Foto: reprodução/Montagem)
Cena de Explode Coração. (Foto: reprodução/Montagem)

Novela causou pânico

Foi a partir daí que a novela da Globo decidiu promover um merchandising social, colocando as verdadeiras Mães de Ceilândia para dar depoimentos sobre seus filhos desaparecidos, além de mostrar, no final de cada capítulo, fotos de pessoas desaparecidas com um número de telefone para que o público pudesse ligar caso tivesse alguma informação sobre o paradeiro deles.

A campanha foi considerada um sucesso, tendo ajudado a encontrar mais de 70 crianças desaparecidas no Brasil. Porém, ela também teve um efeito curioso, chegando a causar pânico em crianças. Acontece que, nos anos 1990, era comum a disseminação de fake news, com histórias mirabolantes que acabavam gerando histeria coletiva, muito pela falta de acesso à informações.

Dessa forma, reportagens da época afirmavam que as crianças de todo o país estavam “se sentindo ameaçadas”. Nas escolas, muitas mães também passaram a temer pela segurança dos filhos e não autorizar que as crianças fossem para passeios escolares, com receio de que acabassem sequestradas, assim como o pequeno personagem da novela, que teve um final feliz, reencontrando a sua mãe.