Silvio Santos tirou Ratinho da Record, mas não pagou multa e causou revolta: “Sou picareta”


Ratinho ao lado de Silvio Santos. (Foto: Reprodução)
Ratinho ao lado de Silvio Santos. (Foto: Reprodução)

Existem inúmeras histórias de bastidores que apontam que uma das principais características de Silvio Santos é o seu poder de persuasão, especialmente quando se trata de negociar com artistas, seja para contratá-los para o SBT ou até mesmo fazê-los voltar atrás em acordos que já haviam firmado com outros canais. E uma das negociações mais polêmicas que o dono do Baú se envolveu foi a da transferência de Ratinho para o SBT.

Em 1998, Ratinho teve uma ascensão meteórica, deixando um programa que comandava em uma emissora regional no Paraná, para se tornar um fenômeno de audiência sob o comando do Ratinho Livre na Record, que por vezes, chegava a superar a audiência da Globo.

Silvio Santos logo se interessou em contratar o carismático apresentador, mas havia um “pequeno detalhe”: a sua multa de R$ 43 milhões. Justamente por conta disso, diretores da emissora se mostravam resistentes a essa ideia, até porque o canal enfrentava uma situação financeira delicada, tendo demitido cerca de 200 funcionários um ano antes para cortar gastos.

Apresentador comandou o Ratinho Livre na Record. (Foto: Reprodução)
Apresentador comandou o Ratinho Livre na Record. (Foto: Reprodução)

Transferência polêmica de Ratinho

Porém, Silvio manteve-se convicto da sua ideia, e após uma semana de negociações, fechou a contratação de Ratinho. O problema é que o dono do SBT havia se acertado apenas com o apresentador, mas não com a Record, que demonstrou absoluta revolta com a situação e entrou na Justiça para cobrar os R$ 43 milhões, além do valor de R$ 5 milhões que havia oferecido de adiantamento a Ratinho.

No mesmo dia do anúncio, o SBT promoveu uma entrevista coletiva com Ratinho, e o apresentador, diante da polêmica transferência, chegou a se autodenominar um “picareta”, e afirmou que a falta de liberdade na Record foi um dos motivos que o fizeram trocar de emissora.

“Sou um picareta. Mas não um picareta no mau sentido. Sou um daqueles que fazem ‘rolos’, que trabalham em várias coisas. Nunca tive carteira assinada”, afirmou. “Principalmente no último mês, não vinha tendo liberdade na produção de meu programa. Isso foi um dos motivos que me levou a sair”, concluiu.

Insatisfação e correria nos bastidores

A correria tomou conta dos bastidores da Record, que precisava encontrar logo um substituto para Ratinho. Assim, a emissora dos bispos contratou Gilberto Barros e colocou à frente do Leão Livre, programa que tinha praticamente os mesmos moldes do Ratinho Livre e que entrou no ar apenas quatro dias após o início de toda essa polêmica.

A Record ainda fez questão de demonstrar publicamente a sua insatisfação com a ida de Ratinho para o SBT e com o próprio Silvio Santos, divulgando um comunicado nos intervalos do último Ratinho Livre, que exibiu trechos gravados com os melhores momentos da semana.

“Ratinho e SBT, em conluio, fogem do cumprimento da elementar obrigação contratual, sobre o pagamento da multa rescisória à Record, amplamente divulgada pela imprensa”, dizia a Record em um trecho do comunicado. “O senhor Silvio Santos, que tanto apregoa a honestidade e obediência aos princípios da justiça, neste episódio, não deu o ar de sua anunciada responsabilidade como empresário”, disparou em outro trecho.

Ratinho, por sua vez, estreou no SBT, no comando do Programa do Ratinho, uma semana depois, e permanece no ar até os dias de hoje. A batalha judicial entre a Record e o SBT se arrastou por cerca de um ano, até que o valor devido caiu de R$ 43 para R$ 26 milhões, mas Silvio Santos conseguiu diminuir ainda mais e acertou o pagamento de toda a dívida desembolsando “apenas” 14 milhões.